Uma luz em meu caminho

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Uma lição quando recebida e não entendida pode ficar guardada anos e anos até que a compreensão aconteça

Eu tinha 16 anos quando me foi solicitado fazer esta oferenda nas matas. Quando voltei e relatei o que ocorrera, os responsáveis por minha educação espiritual pediram para que eu escrevesse o acontecido. Decisão tomada, após verificarem a veracidade dos fatos, inclusive, junto ao Guia Espiritual.

Muitos anos se passaram, uma enchente quase destruiu o relato, o papel ficou amarelado pelo tempo e tudo caiu, como sempre acontece, no esquecimento. Até que os antigos ensinamentos começam a ser lembrados e começaram a ser importantes para novas atitudes.

Relutei em levá-lo a lúmem até por ser tão velha a escrita. Mas, ao relê-la pude ver que fatos como estes precisam ser lembrados para que não incorramos nos mesmos erros, que com certeza ocorrerão se nos deixarmos levar pela inconsciência coletiva que margeia as nossas vidas

Resolvi, com a anuência do Guia Espiritual, manter alguns termos que faziam parte de meu entendimento na época e, que hoje, acredito não ser mais necessário utilizá-los.

Lembremos, também, que a Espiritualidade fala conosco de acordo com o nosso entendimento. Assim, os termos utilizados a época pelo Protetor Espiritual, com certeza, não seriam os mesmos nos dias atuais.

Uma luz em meu caminho

A escuridão na mata era tétrica, assemelhava-se a escuridão que sempre acompanhara a minha vida enfadonha. O medo apoderou-se de mim cruelmente. De quando em quando parava perscrutando a escuridão, nada via, mas, algo dentro de mim fazia-me continuar a caminhada.

Após ultrapassar um vasto e emaranhado matagal encontrei-me em uma não menos escura clareira, parei, abaixei-me e com uma voz rouca mostrando todo o temor que me invadia a alma, pedi:

— Agô, meu Pai! Agô para oferecer-lhe minha oferenda. Agô, para suplicar “maleme” pelos meus erros. Okê caboclo! Bamba o’Clima!

Um farfalhar de folhas fez-se ouvir, assustando o meu pobre e desacreditado coração, era como se mil vozes se fizessem ouvir.

— Agô-ie, filho meu! Agô-ie!

E repentinamente um clarão se fez ouvir, uma luz intensa tomou conta de toda a clareira, no meio daquela intensa e maravilhosa luminosidade, eu vi um índio, belo e de porte varonil, na mão direita trazia uma vara em forma de lança, cruzado no seu corpo um bodoque, coloridas penas adornavam a sua cabeça e sete flechas ele trazia em sua mão esquerda. Assustado com aquela bela aparição, não acreditando no que meus olhos viam, balbuciei:

— Quem és tu ó caboclo que chega com esta luz tão intensa, este porte varonil e este olhar confiante e enternecedor?

— Eu sou o teu Guia Espiritual. Eu sou a luz que ilumina o teu caminho. Trago-te a verdade, a honradez. A luz intensa que vê é o meu grau de espiritualidade e de caridades prestadas; esse porte varonil e belo que mencionastes é a beleza da natureza que consigo captar e transmitir; o olhar confiante que mencionastes, vem da confiança que tenho na verdade e na justiça de Tupã, se você preferir, de Oxalá, se ainda quiser mais, de Deus. Confiança que tenho, também, em ti, meu filho, que vives em um mundo de ambição, de erros, mas que reconheces as tuas falhas e vem aqui pedir perdão.

Deus, nosso Pai e Criador há de te perdoar. Confia neste Guerreiro que te ama e na piedosa atuação de Oxossi, na Misericórdia de Oxalá e te guiaremos pelo caminho do Bem. Faça a caridade, seja fraterno em suas atitudes, só assim receberás a luz suprema. E nunca esqueça: eu sou o teu guia, eu sou aquele que cuida de tua evolução espiritual, que vence as demandas que a vida te oferece, que atua na tua proteção, defesa e amparo. Quanto a tua oferenda volte com ela e a ofereça aos mais necessitados, não suje as matas com elementos que sequer utilizaremos para afagar os teus desejos. Não suje a natureza nunca, pois, ela gritará contra ti. A oferenda que quero e necessito que tu me ofereças é o teu serviço em prol da humanidade; no auxílio ao ser humano.

Assim falando, aquela aparição maravilhosa de meu querido Protetor desapareceu. A natureza que silenciara voltara à vida, e eu com o coração repleto de fé, agradecido, em pé no meio da mata, não tinha mais medo, meu coração tranqüilo batia compassadamente, pois, a vibração das Sete Flechas emanava positivamente, em meu corpo material, em meu espírito.

Ao iniciar o meu caminho de volta, com a oferenda debaixo do braço e com a certeza de que recebera mais uma lição, não me sentia só, eu estava, por completo, iluminado por uma forte e intensa luz, a luz da confiança e da esperança em dias melhores. Uma luz em meu caminho.

Oké Caboclo! Bamba o’Clima.

 

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