O Livre-arbítrio

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Segundo os dicionários modernos, ou mesmo nas matérias e mensagens constantes de diversos sites nas chamadas redes sociais, consideram o livre arbítrio (livre-alvedrio) como crença ou doutrina filosófica que defende a liberdade do ser humano de escolher suas ações relacionadas ao meio que vive, sendo a escolha feita em seu benefício próprio ou não.

Mesmo sendo considerado o livre-arbítrio como uma questão central da história filosófica ou cientifica, é na religião onde a pessoa recebe um respaldo maior de sua “experiência de liberdade”, já que o individuo é considerado moralmente responsável por suas ações.

Para que se possa entender, de fato, o verdadeiro significado de livre arbitrar decisões na vida particular de cada um é preciso conhecer o significado da palavra arbítrio. Segundo o dicionário Aurélio significa: Resolução, determinação dependente apenas da vontade. Faculdade de decidir, de escolher, de determinar, dependente apenas da vontade.  Isto posto, mostra que o livre-arbítrio é uma decisão dependente apenas da vontade de quem deseja seguir um caminho, compartilhar amizades, viver uma vida com ou sem causa aparente.

Um direito do ser humano?

Vejamos o que diz a Bíblia a respeito do livre-arbítrio na confissão de fé de Westminster.

I. Deus dotou a vontade do homem de tal liberdade, que ele nem é forçado para o bem ou para o mal, nem a isso é determinado por qualquer necessidade absoluta da sua natureza. Ref. Tiago 1:14; Deut. 30:19; João 5:40; Mat. 17:12; At. 7:51; Tiago 4:7.

II. O homem, em seu estado de inocência, tinha a liberdade e o poder de querer e fazer aquilo que é bom e agradável a Deus, mas imutavelmente, de sorte que pudesse decair dessa liberdade e poder. Ref. Ec. 7:29; Col. 3:10; Gen. 1:26 e 2:16-17 e 3:6.

III. O homem, caindo em um estado de pecado, perdeu totalmente todo o poder de vontade quanto a qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação, de sorte que um homem natural, inteiramente adverso a esse bem e morto no pecado, é incapaz de, pelo seu próprio poder, converter-se ou mesmo preparar-se para isso. Ref. Rom. 5:6 e 8:7-8; João 15:5; Rom. 3:9-10, 12, 23; Ef. 2:1, 5; Col. 2:13; João 6:44, 65; I Cor. 2:14; Tito3:3-5.

IV. Quando Deus converte um pecador e o transfere para o estado de graça, ele o liberta da sua natural escravidão ao pecado e, somente pela sua graça, o habilita a querer e fazer com toda a liberdade o que é espiritualmente bom, mas isso de tal modo que, por causa da corrupção, ainda nele existente, o pecador não faz o bem perfeitamente, nem deseja somente o que é bom, mas também o que é mau. Ref. Col. 1:13; João 8:34, 36; Fil. 2:13; Rom. 6:18, 22; Gal. 5:17; Rom. 7:15, 21-23; I João 1:8, 10.

V. É no estado de glória que a vontade do homem se torna perfeita e imutavelmente livre para o bem só. Ref. Ef. 4:13; Judas, 24; I João 3:2. Confissão de Fé e Catecismo Maior da Igreja Presbiteriana – Casa Editora Presbiteriana, 9ª Edição, 1986.

Segundo a Bíblia, a partir de Adão, o ser humano perdeu o direito de liberdade de definir os seus caminhos, já que seus sentidos foram afetados espiritualmente, envolvidos por delitos e pecados, estando totalmente insensível a graça de Deus e não pode salvar-se a si mesmo.

Paulo Apóstolo em Romanos 3: 10-12 afirma:

“Não há justo, nem sequer um, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, a uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nenhum sequer”.

Segundo Paulo Apóstolo, se o ser humano, estando neste estado de insensibilidade às coisas de Deus, não as apreciando segundo a sua natureza, jamais poderá entender as coisas do Espírito de Deus que lhe são inalcançáveis espiritualmente. O ser humano sem Deus é chamado em 1Coríntios 2: 14 de ser humano natural, aquele que satisfaz os desejos da alma, é o ser humano não regenerado.

Vamos encontrar nas palavras do apóstolo Paulo, que sentiu o dilema cruel que a natureza pecaminosa impõe, afirmando, que mesmo que quisesse fazer o bem não conseguiria efetuá-lo:

“Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum: pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo”. (Romanos 7:18)

Assim, para não nos alongarmos no que diz a Bíblia sobre o livre-arbítrio vamos finalizar, ainda, com as observações de Paulo Apóstolo:

“Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados”. (Efésios 2:1)

Assim como um morto não se mexe, não ouve, não fala, assim também o ser humano está morto espiritualmente para Deus. Justamente por isto, o homem e a mulher sem Deus não podem encontrar-se com seu Criador. Assim, Paulo conclui que: O ser humano é incapaz de ter iniciativa própria.

Do ponto de vista filosófico, Erasmo de Roterdão (teólogo) nos apresenta uma afirmação que a Bíblia não é clara neste assunto. A definição de Erasmo sobre o livre-arbítrio é:

“um poder da vontade humana pelo qual um homem pode se dedicar às coisas que o conduzem à salvação eterna, ou afastar-se das mesmas”.

São três as visões distintas de Erasmo, diz ele:

“De uma visão sobre o ‘livre-arbítrio você desenvolve três! A primeira, aquela dos que negam que o homem pode desejar o bem sem a graça especial, não começa, não progride e não termina, parece a você severa, mas, suficientemente provável… A segunda, aquela dos que afirmam que o livre-arbítrio não é útil para nada exceto o pecado, e que só a graça trabalha o bem em nós e a terceira, a visão daqueles que dizem que o livre-arbítrio é um termo vazio e que Deus trabalha em nós tanto o bem quanto o mal, e que tudo o que acontece, acontece por mera necessidade”.

Entretanto, a definição de Erasmo pode ser considerada uma ação equivocada, já que ao definir que a Bíblia não é clara sobre o assunto, ratifica a posição bíblica de que o ser humano pode utilizar-se desta liberdade para a conquista da salvação eterna, ou não. A Bíblia, entretanto, parece mais clara: como pode um ser humano repleto de pecados e indecisões buscar em suas ações a salvação eterna? Só é possível aqueles que já alcançaram a graça da presença do Espírito de Deus em sua Vida.

Sobre o livre-arbítrio, Santo Agostinho, em sua obra Libero Arbitreo (388), em resposta a Evódio que lhe pergunta se seria Deus o autor do mal, já que tudo o que existe foi criado por Deus – e já que o mal existe, seria ele criação de Deus. Agostinho, com sua lógica, faz então a diferença entre os dois conceitos de mal: omalum culpae, que seria o mal praticado por aqueles que, por sua própria culpa, afastam-se do sumo Bem, “adorando e servindo às criaturas em lugar do criador”, surgindo por intermédio da vontade livre do homem que se permite seduzir pelas paixões, e o malum poenae que seria uma conseqüência do malum culpae, pois a quem se afasta do Bem não resta outra recompensa senão aproximar-se do mal e privar-se da presença da Verdade. A causa dos males que praticamos é, pois, o livre-arbítrio, e a causa dos males que sofremos é o justo julgamento divino, com relação aos males que sofremos como frutos do juízo de Deus, Agostinho nos diz que seu único objetivo seria o bem, pois visa restabelecer a ordem em nossas vidas.

Sob o ponto de vista do Espiritismo vamos encontrar no capítulo X do O Livro dos Espíritos – Da Lei de Liberdade –, 3ª Parte da obra, algumas questões relacionadas com o assunto livre-arbítrio (Questões 843 a 850), onde os Espíritos superiores nos trazem explicações conceituais bem claras sob o pensamento da Doutrina Espírita quanto ao assunto livre-arbítrio.

Na Questão 843, pergunta o Codificador se o homem tem o livre-arbítrio de seus atos. E os Espíritos respondem que se tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar, porquanto, sem o livre-arbítrio ele seria máquina.

Em resposta à Questão 845, os Espíritos afirmam que conforme se trate de Espírito mais ou menos adiantado, as predisposições instintivas podem arrastá-lo a atos repreensíveis, porém não existe arrastamento irresistível.

Basta que o Espírito (encarnado ou desencarnado), sendo consciente do mal a que esteja ou se sinta arrastado, utilize a vontade no sentido de a ele resistir.

Verificamos, no contexto geral das Questões acima referidas, que não há desculpa óbvia para o mal que o homem venha a praticar, uma vez que ele, por mais imperfeito que seja, tem a consciência do ato que pratica – se é bom ou se é mau.

O livre-arbítrio é uma faculdade indispensável ao ser humano, não nos resta qualquer dúvida, pois, sem ele, já foi dito, o ser espiritual seria simples máquina ou robô, sem qualquer responsabilidade dos atos que viesse a praticar.

É justamente a faculdade do livre-arbítrio que empresta ao homem certa semelhança com o Pai soberano do Universo. E constitui a clara intenção desse Pai magnânimo que os Espíritos, seus filhos, cresçam para a glória eterna, iluminando-se na prática da sabedoria e do bem.

A prática do mal pelo Espírito, encarnado ou desencarnado, não tem qualquer justificativa porque ele sabe quando age indevidamente. Caim, no exemplo bíblico, ao matar Abel, tinha plena consciência do que fazia tanto que o fez às escondidas. O que faltou a Caim foi à compreensão de que nada há oculto aos olhos de Deus!

Pode-se, verdadeiramente, lesar os homens, pode-se até mesmo lesar-se a si próprio, mas nunca lesará alguém a magnânima justiça de Deus.

Assim, o livre-arbítrio é uma faculdade que permite ao ser humano escolher o seu próprio caminho, com todas as conseqüências dessa escolha. Lembre-se que uma folha, mesmo de uma árvore apodrecida pelo tempo, não cai senão pela vontade do Pai Eterno. Sendo assim, cada decisão nossa, possivelmente, tenha passado pelo crivo Divino.

As diversas correntes de pensamento sobre o livre-arbítrio nos oferecem como certeza, a importância de que a nossa livre escolha sobre o caminho a seguir tem de passar pelo crivo da razão e do bom senso, para que não incorramos em uma ação do mal.

Cada ação de livre escolha precisa, mesmo que a emoção esteja à flor da pele, ser refletida para que o Bem se faça e o caminho escolhido não venha a ferir aos que caminham ao nosso lado.

É este Bem, que nos fala Paulo, apóstolo, pois a partir do momento que faço as minhas “livres escolhas” pensando no Bem que faço, já não sou eu mais que vivo em mim, é o Bem – Jesus – que se instalou em meu coração, em minha vida.

Quando muitos caminham ao nosso lado e existe respeito por cada um deles, a decisão deverá ser sempre para que todos sejam felizes – mesmo que alguns assim não entendam.

O livre-arbítrio, como ação pessoal, na verdade, só existe para as almas envolvidas pela intolerância, pela vaidade e pelo orgulho de ser aquele que toma as decisões, mesmo que seja em detrimento de muitos.

Quem ama jamais faz escolhas que não sejam aquelas que visam derramar bênçãos divinas e fazer a felicidade de seus amados.

Pense! Pense muito, antes de agir pelo impulso. Antes de dar ouvidos aos poucos que entendem que podem decidir as suas vidas como se estivesse só no deserto, e não vivendo em um mundo em que um depende do outro para que a felicidade seja plena.

Aja! Sem medo! Mas com amor! Pois, ele, o amor jamais deixará que as decisões que levarão você a felicidade plena gere a infelicidade daqueles que fazem parte da sua caminhada nesta existência.

Seja feliz, sempre!

 

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