O Dízimo – Imposto Teocrático

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Cada qual segundo as próprias possibilidades, assim deve ser

O dízimo foi instituído na Lei de Moisés, objetivando manter os sacerdotes e a tribo de Levi, que mantinha o Tabernáculo e depois o Templo, já que eles não poderiam possuir bens pessoais e territoriais como as outras tribos.

No livro de Gênesis, capítulo 14, aparece à primeira menção ao dízimo, Abrão, após uma guerra vitoriosa deu parte de tudo ao sacerdote Melquisedeque. Em todas as outras menções  pré Mosaico, o dízimo é registrado sob a forma de promessa voluntária. Após uma noite em que teve um sonho que julgou revelador, Jacó, neto de Abraão, também se comprometeu voluntariamente a dar dízimos, caso Deus o guardasse e protegesse, disse ele: “oferecerei o dízimo de tudo que me deres”.

Em Levitíco 27 a lei Mosaica já prevê que o povo tem de pagar um imposto de dez por cento (dízimas) dos animais e colheitas recolhidos uma vez ao ano. Mas, é em Deuteronômios 14, que é definida a finalidade do dízimo, ajustando alguns aspectos que não foram explicitados em Levítico, tais como: razão de culto, interação familiar e auxílio à classe sacerdotal. Ficando ainda registrado, que a cada três anos, essas ofertas, os dízimos, seriam instrumentos de auxílio social, notadamente para os levitas, estrangeiros, órfãos e viúvas.

Ocorreram abusos na administração desses recursos, por sacerdotes que se esqueceram do dever que a eles estavam atribuídos e, mesmo avisados pelos profetas, principalmente pelo profeta Malaquias que os avisou, caso não mudassem o comportamento em relação as ofertas e ao dízimo, Deus tornaria bênçãos em maldições.

No Livro de 1Samuel, a história da transição do regime administrativo do Estado de Israel da teocracia para monarquia, o povo insatisfeito com as ingerências dos filhos de Samuel, nomeia uma comissão para pedir que fosse instituída a monarquia e pede um rei. Samuel protesta veemente, alegando que um rei dizimaria os bens, que apesar de ser administrado pelo Templo – estado teocrático – pertencia à população. O dízimo era na verdade o imposto único pago pelo povo judeu. Samuel tinha razão, ao ser instituído o estado monárquico, o dízimo passou a ser estipulado pelo rei, com percentuais e formas de cobrança arbitrária.

Nas invasões sofridas, principalmente na Romana, o povo Judeu sofreu muito, pois, além do dízimo e das ofertas para sustentação do Templo e dos religiosos que ali viviam, tinham que pagar pesados impostos, não só para sustentação das tropas ocupadoras, mas, para a nababesca vida que levavam os governadores dos territórios ocupados, além, da necessidade de recursos de Roma para manutenção do Império.

O dízimo foi também utilizado pela Igreja Católica em vários momentos. Em seu nascedouro, ela optava pelas ofertas e por doações que geravam mais recursos que o incentivo de pagamento de um décimo do que se ganhava. Utilizavam o: Vai, vende tudo e dê aos pobres. Na verdade muitas vezes trocado por: vai, vende tudo ofereça a Deus. Ou seja, a Igreja.

Até bem pouco tempo, o quinto Mandamento da Igreja Católica era: “Pagar dízimos conforme o costume”, nunca representando a décima parte do recebido; “conforme o costume” compreendia-se na realidade toda a arrecadação da paróquia como sempre o foi, ou seja, direitos de estola ou direitos de pé-de-altar ou ainda, dízimos diretos, benesses. O Papa Bento XVI extinguiu o termo “dízimos” do quinto Mandamento da Igreja, conforme Compêndio do Catecismo da Igreja Católica por ele promulgado em 28 de junho de 2005 e republicado pela CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. O Quinto Mandamento ficou assim:

“Atender às necessidades materiais da Igreja, cada qual segundo as próprias possibilidades”.

As igrejas protestantes tradicionais, isso desde a reforma, crêem que o dízimo não pode ser considerado sobre a Graça, já que o sacrifício de Jesus cumpriu a Torá – Lei Judaica – anulando a existência de uma casta sacerdotal que determinara ser sustentada por uma lei de privilégios. As Igrejas protestante Reformadas, Luteranas, entre outras, desde a reforma, utilizam-se de vários formatos para a sua manutenção, tais como: subscrições, ofertas voluntária e em alguns casos fundos estatais.

O mesmo, infelizmente, não vem ocorrendo com várias denominações pentecostais ou neo-pentecostais, que praticam o dízimo e simultaneamente se utilizam de outras práticas para obter recursos, não só para sua manutenção e crescimento, mas, sobretudo, para enriquecimento de aproveitadores da fé alheia.

Nos Templos Espíritas, de qualquer denominação, nunca existiu o dízimo já que a Caridade se faz com o esforço pessoal do grupo que abraçou aquela causa Divina de servir a Deus auxiliando os mais necessitados. Não se cobra graças, bênçãos ou serviços, se dá gratuitamente o que se recebeu gratuitamente.

A nossa casa – Nova Palavra – é sustentada pela própria comunidade que ali pratica a caridade sem receber “salários ou outras benesses”, apenas doando-se para cumprir o Mandado Divino de amor ao próximo. Até os nossos cursos são gratuitos, o aluno apenas paga o material envolvido. A Instituição vive, com a Graça Divina, de muitos Amparadores que nos auxiliam na manutenção e crescimento da Casa, sem exigir valores ou bens de quem ali vai buscando socorro para solução de seus problemas.

Portanto, entendemos que a cobrança de dízimos quando instituído no passado longínquo, era válido, pois, representava uma forma de manutenção de um estado controlado pela religião. Nos dias de hoje, com tantos impostos a pagar, normalmente determinada uma carga tributária bem distante de nossas possibilidades de pagar, o dízimo não tem razão de ser, e quem paga, no mínimo não conhece o destino que se lhe dará.

O Templo é a nossa casa Divina, ele deve ser um lugar agradável, limpo e com uma energia do Bem, levando bem-estar a todos que ali chegam. Para que isto seja possível, todos devemos participar, no entanto, devemos ter em mente que: Atender às necessidades materiais da nossa casa espiritual é um dever, mas, cada qual segundo as próprias possibilidades.

E, finalmente, entender os ensinamentos de Pai Anacleto:

Quando pedimos, Deus não tira a décima parte do que pedimos, Ele nos dá por inteiro, nós é que devemos compartilhar.

 

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